De Helsinki para Istambul

Em maio fui ao Brasil para trabalhar e fiquei 12 horas em Istambul. Existe amor á primeira vista? Na minha opinião NÃO. Mas a cada hora que se passava ia me apaixonando por Istambul e quando embarquei para fazer minha conexão, olhei para trás e pensei ; Eu voltarei (mas confesso que pensei em inglês para dar um ar mais exterminador). Esperei até o outono e no dia 9 de outubro embarquei para 1 semana em Istambul, e já quero voltar o mais rápido possível, para ver o que ficou faltando e seguir viagem para Capadócia. Optei pela Turkish Airlines, que confesso tem sido a minha queridinha no momento no sentido preco e qualidade de servico. Recomendo muito! Aproveito para deixar registrado que nos últimos 3 anos, tenho comprado minhas passagens pelo http://www.skyscanner.com, essa para Istambul, eu achei no valor de 135 euros ( ida e volta) e o tempo de voo é de 3 horas e 25 minutos.istambul

Eu sempre tento ficar em hotéis no centro, para fazer tudo á pé, no caso de Istambul, isso foi um erro. Somente lá descobri que o sistema de metrô e bonde funcionam muito bem e  se evitar os horários de rush, um hotel no ladoeuropeu, seria muito melhor do que um hotel no lado asiático, ( Istambul é a única cidade que está dividida pelos dois continentes) onde ficam todas as grandes atracões turísticas. Então meus critérios foram: Que eu possa pagar, que fosse bom e no centro. Escolhi o SKALION HOTEL, um hotel confortável, com um ótimo café da manhã, com sucos naturais de laranja e romã, bolos, doces, pães e etc. uma equipe FANTÁSTICA, e 10 minutos do Gran Bazaar e 15 da Mesquita azul, todos os dias ao passar pela portaria o recepcionista perguntava, madame, a senhora gostaria de um chá? É uma cortesia do hotel, se quiser mando servir no bar para a senhora,  ás vezes aceitava e junto com o Chá vinham aqueles docinhos engordantes. Apesar de todas estas vantagens, a vizihanca era bem pesada, apesar de ter visto muito mais homens pelas ruas, nenhum se aproximou de mim e os poucos que tentavam um contato visual, eu naturalmente desviava o olhar e apertava o passo ( odiaria ter que usar minhas técnicas de muay thai em Istambul :). Pelo mesmo preco deste hotel, eu poderia ter ficado em um 5 estrelas do lado asiático e perto da parte glamourosa da cidade. Fica para próxima, errando se aprende. Abaixo algumas fotos que fiz do hotel e o  Link do hotel , caso alguém, como eu, esteja com pouca grana, mas quer um servico muito bom e não vai se importar com a vizinhanca :). Pelo booking.com eu consegui 7 noites por 190  euros com café da manhã incluso, usei um código de um primo para conseguir 15 euros de desconto, e quem precisar de um desconto a mais no hotel para a próxima viagem ( qualquer destino, desde que feito pelo booking.com ) : AQUI TEM UM DESCONTO DE MAIS 15 EUROS 

 

 

E o que fazer por lá? O que você quiser. Eu sou uma apaixonada por história, museus, e apesar de odiar caminhar, quando estou de férias, tenho o maior prazer em ficar andando pelas ruas, para descobrir restaurantes, cafés, e etc. O meu roteiro foi o seguinte:

  1. Gran Bazaar
  2. Mesquita Azul
  3. Hagia sofia
  4. Parque Gulhane
  5. Palácio Topkapi
  6. Torre de Gálata
  7.  Praca Taksim
  8. Zorlu Shopping mall
  9. Cemberlitas Hamam

Em 1 semana, um ser humano mais ativo, teria conhecido muito mais, ( por isso preciso voltar), mas eu sou lenta, fico horas andando, olhando,sentindo os cheiros, comendo com calma. Tive como companhia alguns dias uma turca chamada Ekin, me ajudou muito com muitas dicas e gracas a ela, comprei umas pecas de ouro fora do circuito de FATIH ( onde fica o Grande Bazar)

Sobre o Gran Bazaar:

É o maior mercado coberto do mundo, foi inaugurado em 1461, tem 4 mil lojas em que a grande maioria vende: Tapetes, cerâmica, couro, especiarias e jóias!! Muito ouro! Na época da constantinopla romana, era a avenida principal, e próximo ao porto, era onde tudo acontecia, o segredo para não se perder neste labirinto de consumo, é guardar na memória a entrada pela qual você passou, como eu não confio na minha memória, eu tirei uma foto, e na saída fui mostrando para os vendedores que me indicavam gentilmente. Os turcos adoram vender, e adoram negociar a venda, sempre com um chá a ser servido, e eu que quase não gosto de uma boa barganha, confesso que me diverti muito, voltei umas 3 vezes no bazar, mas comprei pouco ( mas o suficiente para encher a mala que tinha levado vazia). Dica: Pechinche mesmo e muito, você pode conseguir até 70% de desconto no preco final, que quando você for ver, acaba sendo o mesmo preco das lojas para “locais” em outros bairros, apesar de ser um lugar turístico vale a pena comprar lá. Mas gastei pouco, uns 80 euros no máximo, ando em uma fase de consumismo quase nulo, então comprei algumas toalhas felpudas e com cara de SPA 5 estrelas ( porque eu mereco), algumas cerâmicas, um brinco, temperos e presentes para as filhas. A Turquia é um país barato.

 

 

A Mesquita Azul ( Sultahnamet) vai deixar aquela sua idéia de que os azulejos de Portugal são a coisa mais linda do mundo no passado, é mais ou menos como ir ao Louvre sem ter ido ao Hermitage antes. Os azulejos, a arquitetura, a cúpula, tudo é magnífico e elegante. Assim como nós espíritas, os muculmanos não cultuam imagens, a elegância da mesquita estava realmente na arquitetura, nos azulejos  e nos vitrais. Fiquei imaginando um concerto lá dentro, a acústica é perfeita. Dica: Cubra as pernas, os ombros, o cabelo e se você for homem vá de calca, se estiver de short, vai ter que usar as saias ridículas que eles dão na entrada gratuita, também vá cedo, pois eles tem os horários de oracão, ou seja, a mesquita lota de fiéis locais. Eu cheguei lá as 9:00.

 

 

Saindo da mesquita azul, é mais prático se dirigir direto para a  Hagia Sophia, que é do lado praticamente, ela foi durante mil anos a maior catedral do mundo ( até que em 1520 a catedral de Sevilha foi construída apoderando-se do título), pertenceu aos católicos romanos,  gregos ortodoxos, otomanos islâmicos, o samba do crioulo doido viu? Só faltou candomblé e evangélicos, porque de resto, teve de tudo. Perdeu toda as suas riquezas, quando foi saqueada pelo Sultão Maomé, no cerco contra Constantinopla, afinal, estava mais do que na época do ISLÃ, dominar a cidade né? Nada como uma boa guerra, estupros, morte e saques para fazer uma religião tornar-se predominante, e obviamente ao longo da história, suas riquesas se perderam, poucas ficaram para nós turistas que pagamos 40 liras ( 6,60 euros) para entrar e ver os restos do resto. A fila? Parecia que eu estava na Disney esperando para tirar foto com o Mickey, um aburdo de gente! Fiquei uns 50 minutos lá, conversei em inglês, espanhol, português, comi castanhas, tomei sorvete. Se você não tiver muita paciência, FUJA DA SANTA SOFIA!! Passei o mesmo perrengue quando fui no Vaticano, mas o Vaticano valeu muito mais a pena.

 

Resultado de imagem para entrada da santa sofia

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O parque Gülhane, eu conheci porque trombei com ele, nem sabia que era ponto turístico, ficava próximo ao hotel, e eu estava procurando um salão para fazer as unhas ( ( conto depois esta estória). E acabei descobrindo que era bem próximo do palácio Topkapi, meu próximo destino. Na verdade, o parque fazia parte do palácio, eis que o sultão Maomé II  resolveu dar ao povo a parte mais baixa dos jardins, com ordens de que se alguma concumbina fosse pega tentando escapar por aqueles lados, deveria ser morta imediatamente…Há o orgulho e o amor dos homens, não mudaram muito daquela época para cá. Eu na foto estava falando, “Calma aí minha jovem, estou me arrumando.” Mas quem disse que ela ouviu?

 

Entre os séculos 15-19 o palácio de Topkapi serviu de moradia para muitos sultões e suas famílias, o palácio mesmo para os dias de hoje, é algo incrível, cheio de salões, jardins, vista para o mar, algo bem a altura de um sultão otomano, salas belíssimas, quartos, bibliotecas, tem 700 mil m2 e foi construído em 1467. Um dos destaques é o impressionante acervo do palácio, acumulado durante quase 500 anos de poderio otomano. A coleção de arte engloba preciosidades como tapetes, relógios, cerâmicas, cristais e pratarias. Nada, porém, se compara à exposição do Tesouro, onde uma profusão de joias o aguardará, como a armadura de diamantes de Mustafá III, a deslumbrante adaga de Topkapi, cravejadas de pedras preciosas, e um diamante de 86 quilates. E o Harém? God!!! Que vida horrível deveria ser a de uma concumbina, a favorita era outra estória, mas mesmo assim era uma vida, com dezenas de mulheres vindas de todo o império, e repleta de intrigas e lutas pelo poder — todas queriam se tornar a favorita do soberano e garantir que um de seus filhos se tornasse o futuro mandatário. Obviamente o sultão não dava conta de 200 mulheres, aí acontecia de tudo, guardas reais dando “uma forca” sem o sultão saber, tentativas de fuga, casos lésbicos, suicídios, homicídios. Que ambiente pesado que devia ser. Se hoje em dia, quem mantém uma relacão com 2, 3 ou mais mulheres/homens vive se sentindo perseguido ( a), monitorado ( a) e a vida é pesada por tentar equilibrar sentimentos, pessoas, imagino entre 200 mulheres e todas querendo o poder e o amor do macho alfa. Devo ter sido concumbina em outra vida, isso explica o meu pavor nesta vida das relacões com muita gente envolvida. Dois é um número bom e ainda assim, é difícil.

A entrada não é gratuita, 40 liras para o palácio e 25 liras para o Harém, vale a pena pagar 75 liras( 9 euros) e ver tudo de uma vez, o harém é o melhor. Se a grana tiver curta, paga só o Harém.

 

 

A torre de Gálata, na minha opinião é algo que destoa totalmente de tudo o que eu tinha visto em Istambul, porque do nada surge uma torre medieval estilo “Rapunzel viveu aqui”, ali no meio de uma praca do outro lado do Bósforo, nem tive vontade de subir ( OU pagar  1 euro e pegar fila) para ter apenas uma vista panorâmica que já tinha tido lá do palácio. Eu e a Ekin ficamos passeando ao redor, tomando sorvete, ou tentando né? O vendedor levou alguns minutos fazendo uma gracinha para a pessoa que vos escreve na hora de entregar o sorvete.

 

 

Para ir para a torre de Gálata, Ekin me ensinou a pegar o “martrô” ( essa palavra nem existe, mas é um metrô que passa por baixo do mar e eu decidi chamar de martrô 😛 ) Nas fotos eu e a Ekin, a amiga da amiga, que no auge dos seus 23 anos e acabando de sair da faculdade de engenharia, salvou a pátria ( a minha) em Istambul. Muitos turistas pagam entre 10 e 20 euros para um passeio básico pelo Bósforo, gracas a querida Ekin, paguei 1,50 € ( 20 liras) e cheguei do outro lado, sim porque o martrô, não chega até o outro lado, ele vai até a estacão de Eminonu e de lá saem os barcos tipo ferry para o outro lado do estreito, acho que o melhor a se fazer para sentir realmente a diferença entre as duas “Istambul’s” é pegar ali mesmo, em Eminönü, um barco de passageiros comum, integrado à rede de transportes municipais e cruzar o Bósforo sentido a Üsküdar. Os barcos partem o tempo todo, a viagem dura menos de 20 minutos e vale muito a pena, afinal, não é todo dia que você dá um pulinho “ali” na Ásia, certo?

 

Estação Eminönü (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Üsküdar, Istambul (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Kız Kulesi, Istambul (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Essa foto é da ilha da “Torre da donzela” que fica no meio do estreito, a Ekin me disse que a lenda diz que o pai trancou a moca virgem  lá para evitar que ela se casasse com um rapaz pobre ( até entendo esse pai, minha mãe se pudesse faria igual), a moca no desespero se jogou ao mar e morreu, durante todas as guerras foi a única torre que permaneceu intacta, a Ekin acredita que não é apenas uma lenda. Adoro fofocas históricas!

Passeando pela área européia, o ponto principal é a praca TAKSIM, minha próxima ida a Istambul, é lá que vou me hospedar, é moderno, cheio de lojas bacanas, o ar não é tão Islâmico, nada Islâmico na realidade. Os hotéis mais legais ficam por ali, e os restaurantes também são mais legais, definitivamente o tempo foi Ayla ( vamos ver se algum amigo vai entender a piada).

 

 

Eu não aguento mais escrever! Vou fazer o seguinte, publico essa parte como parte I e vocês que aguardem cenas do próximo capítulo que terá outro palácio, o famoso banho turco, e ao contrário dos blogueiros profissionais, eu vou publicar minha planilha de gastos da viagem para você ter nocão de como vale a pena dar um pulo em Istambul, quem sabe não formamos um grupo e pagamos a Ekin? Sim, porque a coitada se ofereceu de graca e não quis receber nada, só ganhou os passeios, comida e transporte pagos :).

A estória da manicure: Achar um salão de beleza do lado asiático, é praticamente impossível, como as mocas não podem deixar os cabelos, os ombros e etc á vista, os salões ficam dentro de prédios escondidos, como eu ia saber? Perguntei no hotel, e a essa altura a garconete do hotel que sem falar uma palavra de inglês, por algum motivo, me via e corria para me abracar, foi a encarregada pelo recepcionista de me levar no salão mais próximo, era de noite, as ruas estavam escuras, as mulheres recolhidas e os homens sentados nas calcadas jogando e fumando, medo, pavor, escuridão…a garota me levou, negociou o preco ( 4 euros!!), mas eu fiquei com medo de voltar sozinha de noite para o hotel e ser morta e esquartejada. Então pedi para ela me levar de volta ao hotel e acabei por fazer minhas unhas lá no hotel mesmo pagando 15 euros 😦 Mas salvando no mínimo minha dignidade :P.

 

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